quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Alô, Alô Marciano....Elis!



Sempre que a coisa tá muito esquisita por aqui imediatamente eu canto:

Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra 
Pra variar estamos em guerra 
Você não imagina a loucura 
O ser humano tá na maior fissura porque 
Tá cada vez mais down o high society

Elis Regina cantava muito bem versos de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Estamos sem sua presença há 30 anos. Ela não era uma mulher à frente do seu tempo. Mas sim, indignada com seu tempo. Preocupada com seu tempo. Filha do seu tempo e que o vivia plenamente. No tempo em que viveu jogou sementes. Deixou ressoando por aí seus versos e sua verve revolucionária, poética e apaixonada.

Se você vier me perguntar por onde andei no tempo em que você sonhava, de olhos abertos, lhe direi: - Amigo, eu me desesperava ♪

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Há mulheres

Hoje acordei com essa linda canção tocando em algum lugar de minhas memórias. 
Rita Ribeiro é uma grande compositora e também dá voz às mulheres. 
Sua voz é algo que vibra a força da mulher negra brasileira. Eu adoro. 






Há Mulheres
Rita Ribeiro

Há mulheres que se pintam de caulim
na costa do marfim
para o deus louvar
Eu também me pinto para o luar, em mim,
a prata derramar
Oh! Musa da inspiração!
Oh! Musa da inspiração!
Oh! Musa da inspiração!
Caia sobre mim este céu sem fim 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

AIDS, essa democrática. E o Papa anda entre aeroportos em um carro de vidro


Estranhamente os seres-humanos sabem que vão morrer.
E, curiosamente, são os únicos seres viventes capazes de fazer poesia e humor.

Constatação essa que vi hoje pela manhã com os olhos atentos as manifestações pelo dia de Combate Mundial a AIDS em um curta francês sobre o assunto.

Video

Diretor: David Fourier
País: França
Ano: 1997
Duração: 6 min

Dimitri, um astronauta soviético do Soyouz 27, gosta de balizas. Catherine e Laurent gostam de fazer amor. João Paulo II ama aeroportos. Vincent ama rapazes.

Um curta sobre a complexidade por trás das simples relações humanas. Uma obra sobre a vida após o saber da morte.

Porque vão morrer os seres-humanos preferem morrer de rir? Ou porque morrer é uma tragédia da vida mas vale suspirar versos declamantes de beleza? Ou em versos declamar que amar uns aos outros pode, mas com certas restrições?

Existem versos e poesias também na Bíblia.  Seu representante diz que por ela deve se amar uns aos outros. Mas não se pode amar uns aos outros de qualquer jeito.

Usar camisinha ou preservativos para amar livremente e escolher como não se quer morrer, não pode. Embora a Bíblia fale da vida eterna. Deve ser porque a camisinha também previne a gravides. Então se você não pode escolher como morrer pode ainda garantir que a vida continue por outro ser? Mas quem quer amar uns aos outros livremente sem morrer e quer não gerar filhos não pode amar, ou vai morrer cedo?

Mas que vida é essa que escolhemos viver mesmo sabendo que a morte é o final?

Mas entre as mulheres, as tais ‘carregadoras do ventre, o bendito’, segundo os dados do Boletim Epidemológico de 2005 o numero de casos de HIV entre esses ‘ventresBenditos’ aumentou de 1994 a 2004 175% e para eles, ‘o bendito ao fruto’ em 29%.

Curiosamente, o índice aumenta em todas as faixas etárias, menos entre 13 e 24. Isso prova que tem mais senso de humor quando jovens? Ou que as mulheres acima de cinquenta anos entenderam as restrições de amar uns aos outros com certa parcimônia? De fato, parece que elas não fizeram parte de uma geração acostumada em ‘amarUNsAosOutros’ livremente nem sabiam que disso poderia se morrer cedo.

E no final posso dizer que os seres-humanos além de humor, poesia são capazes de fazer preconceito.

Amar uns aos outros é divertido.
É também poético.
A morte faz parte da vida.
Donde se conclui que
Versos quando bem feitos
Revelam
Amor
Liberdade
Inclusão
E saúde!


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

25.NOV.Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres


Eram asas.
Liberdade almejada.
Las Mariposas. Miralbal. Mujeres.
Sobrevoo às atrocidades ao povo da terra madre.
A In-dig-[nação] cerne pulsante da vontade do coração
Libertários corações Mirabal
Símbolo. Memória. Representação das dores causadas aos corpos e almas de todas. Elas.
Mariposa, Minerva, abra suas asas sobre nós
Transgrida mais uma vez e nos dê asas também
Às mulheres e a todxs nós
E que no cerne do pulsante que sobre-voa
Respeito e admiração e afortunados desejos plantandos
Talhem a terra em espirais
Em livres movimentos de diversidade regados pelo respeito.
Às Mariposas, todas nós.
 (Alves, S.)


Eram três. Três mulheres que se sentiam como todas as mulheres de sua terra. Mas de um desejo tão amplo, tal desejo toma a face das mulheres que lutam e almejam a emancipação e a liberdade de ser quem se é.

Sua vontade de liberdade autorizava a todxs à liberdade. E assim como outras mulheres na história foram silenciadas, mas seus gritos continuaram ecoando

Patria, Minerva y María Teresa Mirabal foram três mulheres se Ojo de Agua, localidade pertendencte a uma pequena província da República Dominicana chamada Salcedo. Lutaram por uma política justa em seu país opondo-se contra uma das ditaduras mais violentas da América Latina, a de Rafael Leonidas Trujillo. Perseguidas e presas varias vezes ao dia 25 de novembro de 1960 foram assassinadas. Meses após suas mortes, o ditador foi finalmente, deposto.


Como representatividade da luta pelo fim da violência contra a mulher a data de 25 de novembro tornou-se a lembrança da ação com o Dia Internacional de Não Violência Contra a Mulher.

Esta data foi estabelecida no Primeiro Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe realizado em Bogotá, Colômbia no ano de 1981. 

As irmãs Mirabal são também conhecidas e representadas como “las Mariposas”, por ser este o nome secreto de Minerva em suas atividades políticas clandestinas contra a ditadura de Trujillo

Pela suas lembranças ressoa a necessária quebra do paradigma que subjuga as mulheres em suas diversas formas de violência. Dentre algumas:

- A violência social que, fora do ambiente doméstico, submete as mulheres a constrangimentos, a discriminações, a desigualdades de oportunidades de acesso ao emprego ou que as atira para a prostituição, tornando-as presas dos traficantes da indústria do sexo (um estudo da ONU denuncia que as vítimas de prostituição e tráfico sexual são, na sua maioria esmagadora, desempregadas e sem condições económicas de subsistência, oriundas de países muito pobres ou pobres. A OIT estima que sejam 2,45 milhões de vítimas em todo o mundo).
- A violência no local de trabalho, onde não são praticados salários iguais para trabalho de valor igual; onde o assédio sexual é prática tantas vezes silenciada; onde as demissões de mulheres grávidas são feitos à revelia da legislação em vigor; onde as mulheres permanecem nos últimos degraus do acesso aos cargos de decisão; onde, em algumas profissões, a exigência "de boa aparência" é critério para discriminação indirecta.
- A violência política dos que, tendo o poder, teimam em não legislar em ordem à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, continuando a empurrar as mulheres para a prática do aborto clandestino, com consequências nefastas para a sua saúde sexual e reprodutiva e a sua vida privada.
- A violência racial, que penaliza as imigrantes, em função da cor da pele, da etnia, do grupo de pertença; que marginaliza milhares de mulheres e que, de forma cruel, as relega como "seres inferiores", face aos padrões da cultura dominante e do poder autoritário e intolerante.

Como fonte de pesquisa deixo aqui o ótimo material produzido pelo Centro de Estudos Feministas e Assessoria - CFEMEA  , uma contribuição da Priscilla Caroline Brito na lista do Blogueiras Feministas. O material esclarece sobre as formas de violência contra a mulher, dados estatísticos, historia das ações de mobilização, Boletins da Lei Maria da Penha e análises sobre o assunto.



Esta postagem apoia a ação Feministas em Ativismo Online Pelo Fim da Violência Contra a Mulher II que propõe cinco dias de ativismo online. De 21 a 25 de novembro o objetivo é invadir a internet com posts, dados, artigos, fotos, vídeos e muitos mais sobre o assunto. USAR E ABUSAR nas redes a hashtag #FimDaViolenciaContraMulher. Espalhe essa idéia.  







Acompanhe também a participação do Blogueiras Feministas   na serie de posts a partir do dia 25 de novembro. Serão16 posts sobre o assunto e participando da campanha 16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra Mulheres




Para um sobrevoar nas asas de ‘Las Mariposas’,
anos mais tarde após a morte das irmãs Mirabal, Pedro Mir  (poeta nacional dominicano) utilizou este nome em seu poema “Amén de Mariposas”  onde expressa a tragédia que foi o assassinato das três heroínas. Cumpre destacar ainda a novela “No tempo das Borboletas (En el tiempo de las mariposas) escrita pela Dominico-Americana Julia Alvarez baseada na vida das irmãs Mirabal.




Participe de alguma forma desta campanha.
Abraços libertários. 

Sabrina 

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